segunda-feira, 24 de março de 2014

Bilhete Único

É como as luzes do cinema que diminuem lentamente... É assim que fecho os olhos calma e tranquilamente. Me vejo por dentro, meu filme está em cartaz. Sinto-me em um auge de mim, vejo-me entre a platéia, assisto-me de longe. Vejo minha emoção, minha dor e meu silêncio. Vejo-me sorrindo e gargalhando, acomodando-me na poltrona para sentir o corpo melhor. Exercito o corpo e a mente, liberto-me, sinto-me eu, finalmente eu no presente. Eu melhor, eu maior. Confirmo a teoria de que todos os sentimentos dos mais nobres aos mais imundos estão dentro de mim. Sou eu que escolho como trabalhá-los. Mudo meu jeito de enxergar a vida, troco de cena. Já fiz tantos filmes... Mas esse é campeão de bilheteria. Mandei fazer apenas um ingresso e comprei. Assumi meu eu, assumi minha vida. A responsabilidade é toda minha. Tenho consciência de que meu filme pode sair de cartaz. Pode e vai. A vida é instável e eu não nasci pronta. Eu me faço sempre com a colaboração de tantos... Meu passado eu não jogo fora, eu não me envergonho, eu guardo com o maior carinho... Cada filme, cada sessão, cada cena construiu meu hoje e muito obrigada a cada um e cada uma que fizeram e fazem participação especial. Cada ciclo, um filme; cada filme um pedaço de mim. Quero não só assistir meus filmes, quero o papel principal de cada um. Quero ser protagonista constante de mim até que o cinema não exista mais.

terça-feira, 4 de março de 2014

O Tempo

O tempo para, o tempo passa. O tempo voa, o tempo vem... O tempo vai, foi, o tempo nunca existiu. O tempo é um desculpa esfarrapada pra mente. Ele mente, ele vale por si só, ele não vale nada. O tempo corrói, o tempo corrompe. O tempo cria, o tempo dispõe. O tempo é uma desculpa que ele mesmo inventou. O tempo. Não há o que dizer sobre o que nunca existiu. Mas e se existisse? Ele seria uma desculpa pro que há de vir, pro que já foi, pro que não aconteceu, pro que houve, pro que ouve, fala, vê e sente. O tempo existe.