segunda-feira, 28 de julho de 2014

Só Tu



Tu tens a minha metria em tuas mãos...
Como uma costureira que só trabalha por encomenda
me tomas pela medida exata.
E quando a vida me enche de não,
teu sim me salva
e me conserta os erros.

Certa é a vida quando me tocas!
O rio corre,
o vento acorda,
floresce a árvore...
E quando sorris,
o sol amadurece no horizonte.

Mulher,
tu adormeces a tua menina interior com tamanha segurança!
Mas dormes quando medo sentes.
Então, torno-me eu,
tão menina,
mulher para que possa te acolher nos braços meus.

És um poço de sinceridade!
Afogo-me de propósito,
pois gosto quando falas com o olhar...
Quando me olha,
meu peito pensa que já é carnaval
tamanho encanto que me causa saber que para mim é que falas de amor

O que me dizes de me acompanhar pela vida?
Pois já não quero que não amadureça o sol...
Quero que corra o rio!
Quero seu sim quando tudo é não.
Quero ser menina-mulher e já não quero viver fora da época de carnaval.
Tu fizeste do meu mundo grande evolução!

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Embarquei

E então a luz amarela do sol da manhã invade a janela do corredor. E invade meu olhar, misturada com o verde do olhar que você me lança. E invade meu peito. E você ainda me pergunta como consigo acordar tão sorridente, paciente, alegre. A resposta está na sua frente... Às vezes você não veja tão claramente porque ela se esconde aconchegantemente aqui dentro.

Mas nem todos os dias são cheios de raios reluzentes pelas janelas. Há dias cinzentos, há chuvas e tempestades. E sabe porque não me afogo? Porque tenho um lugar reservado para me esconder, esquentar, ser acolhida e muito bem protegida. A grandiosidade do seu abraço, a delícia do seu carinho, o preenchimento que sua companhia me traz.

A vida é mesmo um aprendizado incrível. A tal altura, já percorremos tantos caminhos, já vivenciamos tantas surpresas do destino e andamos tantos trechos da estrada com os pés calejados e doloridos... E ainda assim investimos no novo, no passinho de cada vez, começamos a engatinhar de novo. Haja chuva, haja sol, a estrada é sempre infinita, até que termine. Eu encontrei a melhor companhia pra essa viagem.



quinta-feira, 17 de abril de 2014

Na Onda do Tsunami




A beira do abismo
O olho do furacão. Não, o centro do meio do núcleo do olho do furacão
A tempestade em copo d'água
A pista molhada, escorregadia
O preço a pagar
A iminência da loucura
O susto
O inesperado
O desespero
A contradição
A confusão
A louca vontade 
Eu gosto, não, eu gosto não, eu AMO a instabilidade, a loucura, o improviso.
Não quero dia comum, tudo igual, rotina...
Eu quero mais é que me jogue pro alto, me sacuda, me exploda, junte meus pedaços, costure minhas partes fora do lugar.
E quando aparece alguém com tamanha capacidade de reviravolta?
Tudo inunda

Tudo derrama
Tudo espalha e fica ali exposto e você paralisa porque está bem na sua cara o que sempre quis e você então não sabe como agir. Volta a contradição, volta a fúria, você se afoga em suas próprias águas.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Hora de Viver



Vivendo eu vejo como acontece por aí.
Aí eu penso na madrugada.
A madrugada testemunha o desejo, o beijo, o cheiro, o suor, o olhar. 

Olhar infravermelho que capta tudo, ultrapassa o escuro, opta por ver quando não há o que enxergar.
Enxergar com a alma é que é bom. O olho é apenas a janela, secreta ou aberta, com cortina ou sem.
Sem medo eu quero viver, eu quero crescer, eu quero evoluir, eu quero seguir.
Seguir sem querer que eu não quero. Não quero, não me desespero. 

Espero. Espero. Espero.
Então toma! Tira de casa seu medo e deixa ele voar. Sua casa é seu peito. Onde o medo se esconde?
Esconde a raiva, acalma, tranquiliza, relaxa.
Acha? Acha mesmo que tem que saber como é que vai ser? Não há o que "vai ser", pois ja é.
É um dia de cada vez. É calmo, é tranquilo, é deixando acontecer.
O que vai acontecer é o de menos. Só vai ser "mais" quando e se já estiver acontecendo. Bom mesmo é o que acontece agora.
É hora.
Toda hora

É hora
De
Viver.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Não vou me despedir de você


A despedida é imprevisível. Não dá pra ter certeza... "Nunca diga nunca" é o que me foi ensinado. A língua paga com juros altos... A vida dá voltas, o mundo gira. Um adeus que nunca vale! É a língua pagando. É assim que me sinto às vezes... Despeço-me tanto por não saber quando vou te ver de novo e inesperadamente te vejo amanhã. 

segunda-feira, 24 de março de 2014

Bilhete Único

É como as luzes do cinema que diminuem lentamente... É assim que fecho os olhos calma e tranquilamente. Me vejo por dentro, meu filme está em cartaz. Sinto-me em um auge de mim, vejo-me entre a platéia, assisto-me de longe. Vejo minha emoção, minha dor e meu silêncio. Vejo-me sorrindo e gargalhando, acomodando-me na poltrona para sentir o corpo melhor. Exercito o corpo e a mente, liberto-me, sinto-me eu, finalmente eu no presente. Eu melhor, eu maior. Confirmo a teoria de que todos os sentimentos dos mais nobres aos mais imundos estão dentro de mim. Sou eu que escolho como trabalhá-los. Mudo meu jeito de enxergar a vida, troco de cena. Já fiz tantos filmes... Mas esse é campeão de bilheteria. Mandei fazer apenas um ingresso e comprei. Assumi meu eu, assumi minha vida. A responsabilidade é toda minha. Tenho consciência de que meu filme pode sair de cartaz. Pode e vai. A vida é instável e eu não nasci pronta. Eu me faço sempre com a colaboração de tantos... Meu passado eu não jogo fora, eu não me envergonho, eu guardo com o maior carinho... Cada filme, cada sessão, cada cena construiu meu hoje e muito obrigada a cada um e cada uma que fizeram e fazem participação especial. Cada ciclo, um filme; cada filme um pedaço de mim. Quero não só assistir meus filmes, quero o papel principal de cada um. Quero ser protagonista constante de mim até que o cinema não exista mais.

terça-feira, 4 de março de 2014

O Tempo

O tempo para, o tempo passa. O tempo voa, o tempo vem... O tempo vai, foi, o tempo nunca existiu. O tempo é um desculpa esfarrapada pra mente. Ele mente, ele vale por si só, ele não vale nada. O tempo corrói, o tempo corrompe. O tempo cria, o tempo dispõe. O tempo é uma desculpa que ele mesmo inventou. O tempo. Não há o que dizer sobre o que nunca existiu. Mas e se existisse? Ele seria uma desculpa pro que há de vir, pro que já foi, pro que não aconteceu, pro que houve, pro que ouve, fala, vê e sente. O tempo existe.

sábado, 18 de janeiro de 2014

Tristeza

Eu não entendia quando diziam que a tristeza mais profunda é aquela em que não conseguimos chorar. Mas a vida se encarrega de nos ensinar certas coisas necessárias. Principalmente nos fazendo sentir na pele.

Tristeza profunda é quando a sentimos de tamanha maneira que não há válvula de escape. É quando temos a consciência de que aquilo que aconteceu já foi, passou, não há como ser mudado. O tempo é o passado, nada pode ser feito daqui pra trás. E então, diante dessa consciência, aprendemos: chorar não vai resolver nada. E assim, nem isso conseguimos fazer, e assim a tristeza não sai. E assim é que nos sentimos impotente.

Não pretendo escrever nada bonito, do tipo: "relaxa, isso passa, nada pode ser feito no passado, mas daqui pra frente sim...". Não, nada disso. Hoje só quero sentir a tristeza que sinto, sem precisar pensar em fazer nada. Meus pensamentos já estão sobrecarregados demais. Deixa pra outro dia.

Eu queria voltar a ser criança. Queria chorar achando que assim é que resolve. Essa é a única parte do tempo que eu queria que voltasse.