quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Paz


Fui dormir ao som da chuva sem reclamar se pela manhã o tempo estaria igual. Apenas adormeci em meio a uma sinfonia de pingos graves e mansos como uma mão a acariciar-me. Acordei pela luminosidade que invadia dois dentros: dentro de casa e dentro de mim. Abri a janela como quem abre um sorriso sincero que inclusive surgiu na medida em que meus olhos viam os raios do sol por entre as enormes nuvens de um céu azul clarinho. Senti o cheiro que me atrai principalmente em dois momentos: nesse e a tardezinha, quando o céu vai mudando de azul para amarelado para lilás para avermelhado até escurecer de novo. O cheiro do café: concentrado e docinho. Tomei com a sensação de quem toma um banho de mar, abri e entrei no chuveiro como quem entra numa cachoeira. Depois de tirar as impurezas da alma, ouvi numa canção que ‘todos os dias é um vai-e-vem e que a vida se repete na estação. Que tem gente que chega pra ficar e gente que vai pra nunca mais’. Decidi que não queria apenas passar pela vida como numa estação, ir e vir sem fazer diferença pra ninguém. Dei-me conta de que faço diferença para alguns alguéns, inclusive eu, e isso já me vale a vida. Percebi-me em um conforto interno, mesmo sem saber externalizar. Eu tinha o que esperava da vida: PAZ.