domingo, 24 de novembro de 2013

Pesadelo

                                   




Eu que sempre defendi o diálogo, calei-me. Eu que sempre fui contraditória não me espantei.

Eu que sempre tive que viver para aprender, preferi apenas escutar, entender e aceitar que é assim que é e pronto.

Eu que cresci só do lado de fora e pra todos os lados, cansei de ser a "eterna criança" inside.

Eu que sempre estive pronta para partir, parei no meio do caminho e quis voltar, mas então peguei a danada da pedra e arremessei pro alto. E então, enquanto eu balançava os cabelos ouvindo uma música agitada qualquer, ela caiu. Acertou em cheio meus conflitos. 

Foi quando eu acordei.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Paz


Fui dormir ao som da chuva sem reclamar se pela manhã o tempo estaria igual. Apenas adormeci em meio a uma sinfonia de pingos graves e mansos como uma mão a acariciar-me. Acordei pela luminosidade que invadia dois dentros: dentro de casa e dentro de mim. Abri a janela como quem abre um sorriso sincero que inclusive surgiu na medida em que meus olhos viam os raios do sol por entre as enormes nuvens de um céu azul clarinho. Senti o cheiro que me atrai principalmente em dois momentos: nesse e a tardezinha, quando o céu vai mudando de azul para amarelado para lilás para avermelhado até escurecer de novo. O cheiro do café: concentrado e docinho. Tomei com a sensação de quem toma um banho de mar, abri e entrei no chuveiro como quem entra numa cachoeira. Depois de tirar as impurezas da alma, ouvi numa canção que ‘todos os dias é um vai-e-vem e que a vida se repete na estação. Que tem gente que chega pra ficar e gente que vai pra nunca mais’. Decidi que não queria apenas passar pela vida como numa estação, ir e vir sem fazer diferença pra ninguém. Dei-me conta de que faço diferença para alguns alguéns, inclusive eu, e isso já me vale a vida. Percebi-me em um conforto interno, mesmo sem saber externalizar. Eu tinha o que esperava da vida: PAZ.


terça-feira, 23 de julho de 2013

Hard Life


A vida não é como no vídeo-game em que começamos no "easy" e progredimos até o "hard". Vivemos no modo "hard". É nele que a vida se desenvolve e difícil mesmo é alcançar o modo "easy". É quase inatingível. É para raros, aliás raridade inexpressível por palavras, se é que existe.

Outro fato são os dons. Se eu pudesse optar por algum, optaria pelo de nunca magoar as pessoas que amo, outro algo que inexiste, já que sou humana e foi dado aos humanos a capacidade de escolha. Escolher por onde seguir é necessariamente abdicar de um dos caminhos. E é aí que surgem as mágoas. A mágoa de quem não foi por ali e a mágoa de quem esperava que você fosse por ali. Mas também não é possível escolher sempre.

Existem mais coisas que corroem quando deixamos. Uma delas é o julgamento. Pessoas de fora que não sabem e nunca souberam o que você viveu, SENTE e aprendeu. Pessoas que ouvem com apenas um dos lados dos ouvidos e se acham no direito de julgar, cheias de razão. Dão corda para a discórdia em vez de procurar apoiar, ajudar a compreender e aceitar. Pessoas que querem que estejamos bem, mas nunca melhores que elas.

E quanto ao não reconhecimento? Só tenho a lamentar... É como se uma maçã podre estragasse todas as frutas da fruteira. É como se uma ação "errada" eliminasse por completo tudo o que você fez de bom, todo o seu esforço, como se tudo o que sentiu fosse uma mentira, uma enganação, uma ilusão. Porque é tão difícil reconhecer as coisas boas que fazemos, que nos desdobramos para realizar? Porque é mais "easy" sofrer mágoas e julgamentos do que estender a mão e apenas compreender.

Só desejo felicidade, paz, compreensão e muito amor. Que abraços sejam sentidos no ar da esperança e que as lembranças sempre existam, com o máximo de carinho pelo que foi verdadeiro.



terça-feira, 9 de julho de 2013

Estímulos





Embora hajam muitos saberes aqui guardados,
às vezes a poesia me escapa feito sabão na mão molhada.
Mas não julgo o acaso. 

Uma criança necessita de estímulos para aprender, desenvolver, expressar-se. 
Já fui um livro fechado na estante, pronto para ser lido. 
Hoje sou uma criança com um sabão na mão,
às vezes molhada, 
às vezes não.
Dê-me um banho de estímulos,
dê-me livros,
convide-me para ver um filme,

apresente-me uma música nova, diferente, interessante,
escreva-me um poema simples,
leve-me para ver o pôr do sol, sentir o ar puro, conversar atoa.
Verá então o quão melhor eu posso ser, pelo simples, pelo básico e mais cotidiano dos fatos.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Parque de Diversões



Todo mundo tem um parque de diversões no quintal da alma. Uma montanha-russa de sentimentos, um crazy dance de experiências, um carrossel de vivências, uma roda gigante de pensamentos.

Enfrentamos grandes filas para pagar as consequências dos atos. Esperas de ansiedade, alegrias de resolver, pagar e, então, entrar em outra fila.


Pescamos sonhos, atiramos em dúvidas, alimentamo-nos de esperança, às vezes de ódio, às vezes de amor.

Todo mundo tem um parque de diversões no quintal da vida.