segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Sobre 17's de novembro


De tempos em tempos, a clareza de quem somos pode aos poucos escurecer. Não é difícil encontrar alguém se queixando de ter se perdido; de ter a sensação de não saber mais quem é; de ter confundido os seus caminhos na cidade do tempo.

Hoje eu quero apenas confessar algumas coisas sobre mim e sei que há quem se identifique.

Um fato: sou feita de uma personalidade inconstante. Humor, hábitos e manias vivem modificando não o meu jeito, mas o meu estado de ser. Há sempre a sensação de que eu estou me construindo infinitamente, mas há sempre aquilo que não muda, que já está construído, desde o primeiro e mesmo depois de tantos dezessetes de novembro.

Às vezes sinto falta de mim. Sinto saudade das coisas que eu parei de fazer sem saber o porquê. Aquilo com que eu perdia (ganhava) horas e horas dos dias afins. Talvez porque tenha diminuído o meu tempo livre, talvez porque as coisas mudam mesmo, talvez por eu apenas estar arrumando uma desculpa esfarrapada, porque tempo nunca foi desculpa pra nada. Tempo a gente arruma; o interessado dá um jeito e quem faz questão vai atrás. Afinal, 1 minuto já é tempo, 1 segundo já é tempo. Mas e as condições para isso? Tempo também nem é todo o x da questão. Porque então eu estaria tão displicente comigo? Não sei, tragam-me um psicólogo que explique essa busca incessante por explicação!

A questão nem é entender o porquê, mas apenas voltar para aquilo que me faz falta e me faz bem, cuidar mais de mim, colocar-me mais em primeiro plano, porque se deixamos isso para que outras pessoas façam, não teremos a retribuição imaginada. Às vezes sinto-me doando tanto em diversas relações e não recebendo isso de volta. Mas acho que é um dos meus maiores defeitos: querer reciprocidade em tudo. Alguns amigos já me alertaram: evite as expectativas! Mas não adianta, sou teimosa e acredito nas pessoas.

Só sei que preciso mais de mim, buscar-me mais e procurar mais por tudo aquilo que me faz bem, para deixar de ver problema nas coisas tão pequenas que me acontecem e viver mais e melhor. E isso inclui amor, cultura, ar puro, tranquilidade, fé, esporte e arte!

Deixo um beijo de esperança... E que eu nunca a perca.