quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Esse é seu, Nilo Costa.

O balançar de um coqueiro através da grande janela transparente, vasos de plantas de plásticos, uma cor feia na parede. Parece que todo o cenário colabora completando as faces angustiantes, os nós na garganta.

Como é intensa a dor de uma sala de espera de hospital. A ansiedade pela notícia que nunca chega, o silêncio profundo, a vontade duvidosa da visita. Duvidosa, porque sinceramente não sabemos se queremos ver um familiar em determinada situação, em determinada condição de saúde. Mas é preciso transmitir vibrações positivas, encarar a dor de frente, deixá-la um pouco de lado para propagar força.

A energia daquele lugar às vezes pesa mais que a dor de não saber.
Não saber se...
Não saber como...
Não saber quando...
Não saber, mas ter esperança sempre e sentir toda a positividade que for possível. Justamente o que eu herdei de mais valioso de você, pai, essa força transparente que nós, seus familiares, precisamos ter agora para te ajudar nessa.

Eu rezo todos os dias, eu torço por você. A última coisa que eu penso antes de dormir e a primeira ao acordar, é em você. Sinceramente, espero-lhe entrando com aquele sorriso gostoso pela porta da minha casa, a calvice brilhante, o andar espaçoso, sentando-se no mesmo lugar de sempre à mesa, pedindo um café e falando sobre as suas milhares de namoradas! Espero-lhe calado, espero-lhe falante, espero-lhe do modo que for, fazendo-me sentir qualquer sentimento, menos essa dor por não lhe ter consciente, feliz.

Saia dessa e venha ver o texto que eu fiz pra você!
Eu te amo sempre.