terça-feira, 17 de maio de 2011

HahaNand(inh)a [2]

"Bom mesmo era fazer nada, nem pensar, mas isso só às vezes conseguia, e era impossível gozar o momento, sempre passado. Pois quando o sentia, ele já acabara: ela começara a pensar" ("Menina", Ivan Ângelo).

Pensar era uma coisa que eu venerava. Venero hoje ainda, pois acredito que dá para chegar a muitas conclusões assim, pensando. Mas claro, agindo junto. Só que pensar gera muitas perguntas. Herança de infância, questiono demais. Pode ser até em interior silêncio, mas questiono e mudo formas de olhar.
Lembro que minha mãe, sempre tão atenciosa e paciente, procurava responder todas as minhas perguntas. Não lembro de ouví-la dizer "ainda é muito nova para saber sobre isso". Ela tentava, arriscava uma explicação, mesmo que da forma mais simples e incompleta que fosse. Mas respondia às minhas perguntas. Uma vez lhe perguntei o que era "porra". Posso imaginar como ela se sentiu, num beco sem saída, escutando aquelas palavras lhe atingirem como se fossem flechas: "mãe, o que é porra?". Talvez quis não existir por alguns segundos, talvez quis que eu não existisse, talvez ela quis estar no lugar em que eu ouvi a palavra tão agressiva para uma garota de uns 6 anos, só para evitar que eu a tivesse ouvido. Mas tão sabiamente me respondeu que "é uma coisa da intimidade do homem". Sei que já sabia o que era intimidade e saí satisfeita com a resposta, sem me importar muito com que porra era aquela.
Não gostava: cheiro de feijão assim que é aberta a panela de pressão, nariz escorrendo, não poder brincar antes da tarefa, ter que dormir mais cedo que todo mundo, jogar vôlei.
Gostava: receber carta (nunca havia recebido, mas sonhava que um dia o carteiro me traria uma delas e me libertaria da angústia de querer tanto algo tão simples que nunca acontecia), sonhar que caía em um buraco, só para acordar dando pulo da cama, aliviada por ser só um sonho e então rir intensamente, sabendo o que é a felicidade do alívio, ouvir meu avô cantando e contando histórias, fingir que era bruxa, imitar as pessoas, principalmente minha mãe, viajar nas férias, surpresas, brincar, brincar, brincar, cansar todo mundo e ouvir satisfeita "essa menina é uma peste".
Talvez eu soubesse que 'o melhor jeito de chegar ao fundo era pelos caminhos transversos, pelas coisas banais'. Toda criança sabe.






Ps.: Quem acompanha meu Blog, pôde perceber que já postei um texto com esse título (http://hahananda.blogspot.com/2010/06/hahanandinha.html). Minha intenção ao escrevê-los é resgatar minha criança interior, já que considero fundamental a qualquer pessoa que queira ter um conhecimento maior de si. Mas principalmente para aqueles(as) que querem ser professor(a), como eu. Há muito o que se explorar no mundo da infância. Inclusive no nosso particular.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Esta escrita é só dela

Com suas formas únicas ela me chama a atenção. Talvez por essa diferença singular, também diferente é o gingado dela.
Rebola redondo, desliza, parece que flutua.
Refletindo a intensidade da minha tensão, marca às vezes mais forte o caminho que passa.
Mas o que mais me encanta é o modo como ela se prende a mim. Eu a grudo em minhas mãos e conduzo da forma que quero os movimentos dela.
Agora vejam só a minha mania! De querer colocar a tal da poesia, até na bonita caneta que alguém me deu.