domingo, 5 de dezembro de 2010

O que permanece

Sei que escrevo. E amo.
Mas o mais intrigante é o porquê de reler sempre o que escrevo.
Escrevo em folhas finais de caderno, escrevo nas beiradas das margens de livros, escrevo em paredes, escrevo no Word, no Blog e não, não escrevo a vida. A vida eu vivo. Porque, por mais que escrever seja uma grandiosidade, o que seria mais apaixonante que o ato de viver? Apenas aquilo que o transcende: o mistério, o amor.
Como as páginas de um livro, fixas e ao mesmo tempo tão manuseáveis, principalmente no movimento de passar e retornar, volto sempre por aqui e clico naquela coluna dos meses, logo ali à direita.
Leio, releio, relembro, concordo e discordo de mim mesma.
Eu leio para saber o que penso, ou pelo menos o que pensava no momento em que escrevi. E que nem sempre está de acordo com o que passei a pensar desde então.
Percebo enfim que o que permanece, representa o que por muitas vezes - quase sempre - é aquilo que não consigo descrever - e que não muda, por mais mutável que eu possa ser: minha essência.


Agradecimentos pela inspiração do dia ao queridíssimo mestre Fernando Sabino.

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