quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O início: despertar de ideias


Impulsiono aqui, a escrita de um longo texto, ainda sem título ou objetivo específico. Trata-se de um compartilhar de ideias recém-nascidas da leitura de um livro, que já já saberão qual. Decidi postar meu texto por partes, até mesmo por ainda não estar terminado (se é que um dia o estará). Boa leitura e espero que algo seja despertado, nem que seja uma discórdia...



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Esta noite, olhando para o céu, deixei-me tomar por uma perplexidade não experimentada antes. Meus olhos umedeceram-se salgadamente e meu corpo foi tomado por arrepios.
Acredito que tais reações, são resultados de uma matura compreensão da importância dos laços afetivos.
"Tu não és nada para mim senão um garoto, inteiramente igual a cem mil outros garotos. E não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti unica no mundo..." [ O Pequeno Príncipe ].
Observo desesperadamente o que vem acontecendo com o mundo: tendo-se dividido em bilhões de mundos pessoais, isoladamente particulares, nós, somos tentados, com o esforço feito pela mídia (sutilmente manipuladora) e reforço das escolas (desinteressantes), Igreja (às vezes limitadora do olhar, voltando-nos à apenas um fenômeno como saída: Deus), Governo (ainda não democrático) e famílias (influenciadas por discursos ultrapassados, presentes em cada uma dessas Instituições), a manter um Sistema social que se assemelha à prisões. Prisões de nós mesmos.
Cada vez mais mergulhamos na busca de objetivos particulares: queremos sucesso, um bom emprego, dinheiro, sorte, estabilidade, e dentre tantas e tantas etc's, que seguem sem nenhuma ordem de prioridade [ (ironia) cada um com os seus, não é mesmo?! (\ironia) ], a tão cobiçada felicidade.
Mas que felicidade é esta, que nunca alcançamos?
Lembro-me de ter me sentido, por diversos momentos, completamente realizada, plena, mas não sei dizer se isso era exatamente felicidade. É possível ser feliz? Se sim, acredito que passageiramente, pois algum motivo entristecedor chegou sempre até mim, fazendo-me descer um degrau nessa escala de plenitude. Depois, ia tal motivo embora, voltava a alegria. Ou seria de fato a felicidade? Não sei. Minto. Sei do que penso: a felicidade é a principal e eterna busca do ser humano... Se alcançada definitivamente, que sentido teria viver? Eu, pelo menos, não conseguiria viver plenamente feliz, vendo as pessoas ao meu redor privadas de tal sentimento. E nem que fossem todos completamente felizes, consigo enxergar algum outro motivo de busca realmente relevante.
Acredito também, ser a vida feita de áreas, que administramos tentando relacioná-las e proporcionar com tal relação, o equilíbrio de que precisamos para estarmos bem: a família, os amigos, a espiritualidade, as obrigações, a diversão, o amor e os acontecimentos inevitáveis, o acaso, o destino. Vejo nessa composição o bom motivo para tristezas: não conseguimos equilibrar sempre, todas as áreas de nossas vidas, nem que tentássemos exaustivamente, conseguiríamos manter essa harmonia, pois como disse, acredito no acaso, nos incidentes e também, não menos, nas irresponsabilidades, que tornam muitos incidentes, acidentes com culpados reais.
Não pretendo aqui, de forma alguma, traçar uma falta de perspectiva de vida ou uma visão completamente negativa da existência humana. Percebo apenas que critico o modo como fazemos buscas tão desnecessárias, por serem muito técnicas, clichês, embriagadas de uma falsa seriedade. Talvez nossas buscas sejam muito neoliberais.
Esquecemo-nos por diversas vezes da delícia que é experimentar, como no filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, os pequenos prazeres da vida. Sim, dessa forma como ouvimos falar no senso comum mesmo! É que ouvimos tanto, que fica batido, às vezes retrô. Mas quantos de nós, realmente nos permitimos experimentá-los?
Vivemos buscando harmonias, construindo laços, cativando, muitas vezes sem intenção. Mas que valor temos dado a isso?

(...)











Fico hoje por aqui, pois infelizmente já é tarde e as obrigações do dia de amanhã, convidam-me para um momento de repouso. Vou agora um pouco mais leve, começo a organizar melhor minhas ideias. Sigo ansiosa pela continuidade...

Um beijo e até breve.

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