segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Amarelado Calendário Sentimental

Está vendo essas folhas amareladas? Essa cor não se apaga, meu bem. Estão grudadas nos dias representados por cada um desses números aqui nesse calendário. Vão passando os dias, os meses, o ano, o outro, mais um. E a cada vez que elas vão ficando ainda mais amarelas, tanto mais o nosso particular vai se entranhando nas minhas lembranças que, naturalmente, vão sendo levadas por essa ventania. Essa ventania que por mais forte que seja, meu calendário sentimental, não vai levar.
Você meu bem, que tem amizade íntima com o destino, que por um certo tempo me ajudou a desenhar o meu, que conseguiu arrancar do mais profundo de mim o que eu nunca havia doado para ninguém: minhas loucuras. Você, que soube me compreender, amar e querer, com tamanha intensidade, sem pedir que eu fizesse o mesmo. E você, que o conseguiu mesmo sem pedir, marcou com a sua Letra um pedaço importante de mim.
Ah, mistério! Meu bibelô, meu brinquedinho favorito! Você sempre me trazendo o inusitado, não é? Paixões repentinas, pessoas especiais que vem e são levadas logo em seguida pelo vento, aquele mesmo que não consegue levar meu calendário amarelado.
Seria preciso um vendaval? Uma tempestade? Tsunamis, furacões? Que tragédia resolverá?
Nenhuma! Nenhuma... Nenhuma.
As coisas que dissemos ficaram gravadas. As nossas ações, internalizadas na memória. O que sentimos não tem comparação, nem preço, nem dúvidas, mas existência também não tem mais. Nem mesmo as loucuras.
Há quem concorde comigo: há sempre quem ama mais, entrega-se mais, sofre mais. E há sempre quem deixa seu calendário voar dentre as confusões. Mas o meu não quer voar.
Como pode algo tão verdadeiro se perder no simples passar do tempo? Talvez seja porque ele não passa sozinho. Coisas vão acontecendo nesse sutil passar.
Seremos sempre (aqui dentro).
Eterno amor.
Mal resolvido.
Por onde for.
A nossa voz ecoa forte, amarelando o meu ultrapassado calendário sentimental.


E FIM.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Finalizando o texto sem fim

Como estão os meus leitores?
Como puderam perceber já pelo título, o post de hoje é para "finalizar", o texto começado no dia 3 de novembro e parcialmente desenvolvido ontem.
Vamos lá?

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Resgatando aqui aqueles sentimentos do dia 3, posso me lembrar de uma noite especial. E quando usamos a palavra "especial", sempre fica aquela sensação de que alguém esteve conosco e realizamos juntos algo que marcou, não é mesmo? Mas não necessariamente o "especial" precisa ser traduzido assim. Um exemplo é como foi comigo: sentia-me tão só. Procurava por algo que me trouxesse uma sensação nova, alguma inspiração. E foi justamente em um livro, aparentemente tão simples e infantil, que a encontrei. Mergulhei naquela história como se fosse uma personagem da mesma. Fazia relações com a minha vida e me emocionava tanto! Como não ser então, mesmo sem companhia, uma noite como aquela especial?
Às vezes quando olho pro espelho, não me reconheço! Pergunto-me assustada, quem seria aquela diante de mim. Chego a duvidar que eu e aquela somos a mesma pele, o mesmo olhar, o mesmo sorriso, a mesma pessoa. Percebo então que não somos mesmo... Aquela, diante de mim, não passa de uma representação visual, sem sentimentos, sem história. Aquela é apenas uma imagem que não carrega tudo o que eu carrego aqui dentro. Aquela não é formada, como eu, pelas interferências de pessoas especiais que fazem de mim o que hoje sou.
E principalmente, o que HOJE sou. Hoje, que completo mais um ano de vida. Que renovo esse ciclo de viver, com um banho de abraços, de mensagens, surpresas e sorrisos. Que sinto-me tomada por uma sensação inexplicável de recomeço, de novas perspectivas.
Há quem diga que é uma data como outra qualquer, em que apenas se fica um ano mais velho.
Considerando toda a minha trajetória e concepções acumuladas, não consigo enxergar a vida como sendo constituída por dias em que ficamos APENAS mais velhos. Sendo aniversário ou não, estamos constantemente aprendendo, errando, modificando, construindo, desconstruindo, reconstruindo, conhecendo, equilibrando, desequilibrando, julgando, crescendo, criticando, pensando, falando, comendo, trabalhando, amando, vivendo.
Agradeço imensamente a todos os que me cativaram até hoje. Eu preciso de cada um de vocês, que sabem muito bem quem são. Eu necessito de vocês, assim como vocês necessitam de algo de mim. Eu quero sempre poder trocar algo com vocês, então não me tirem essa oportunidade. E é claro, chamem a minha atenção, não me deixem perder de vocês, quando um dia eu chegar a quase desaparecer. Vamos juntos, manter tudo isso de mais gostoso que construímos. E vamos assim desconstruir, reconstruir algo novo, se necessário for!
É nesse dia 17 de novembro de 2010, que "finalizo" um texto que só será finalizado de fato, com o fim da vida de cada palavra escrita aqui.
Quero deixar registrado o quanto emocionante esse dia foi para mim:

Foram tantas ligações! Tantas demonstrações! Tantas palavras e gestos! É uma alegria imensa ter recebido tudo isso! É uma pena grande isso ser tão intenso assim em apenas uma vez no ano. Mas agradeço hoje por ter a oportunidade de viver, aproveitando sempre da melhor forma o meu presente, lembrando e levando o melhor do meu passado e esperando sempre o que de melhor está por vir.
Observo agora a janela do meu quarto... Sabe, eu tenho uma visão feia daqui. É muito feia! Olho pela grade e vejo um milharal, uma parede de concreto do vizinho e uma antena parabólica. Mas hoje, incrívelmente hoje, deparei-me com algo nunca presenciado por mim dessa janela.
Uma chuva caía forte e, enquanto eu me lamentava da minha visão feia, ela diminuía. Nuvens lindas foram preenchendo o céu cinzento e um azul que reluzia no mais profundo da alma foi sendo colorido por lá. O sol, foi aos pouquinhos aparecendo ali. Nossa... Ainda não acredito na beleza da transformação da minha vista feia: um arco-íris foi sendo pintado no céu e em mim.
É, como pode ser o meu aniversário, apenas um dia em que fico mais velha? Se eu pudesse descrever o tamanho dessa alegria que não cabe no meu próprio tamanho, saberiam como me sinto agora. Que sortuda eu sou!
Despeço-me por hora, com uma singela representação do que presenciei aqui. É a força da beleza da natureza, tornando mais rica a visão feia da minha janela que nunca mais será a mesma.




Beijos cativantes!

[.]

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Desenvolvendo o "despertar"

Olá pessoal! Depois de alguns dias sem postar, voltei para dar continuidade ao meu texto. Confesso que andei observando algumas relações estabelecidas por essa vida afora: em filmes, em livros, na minha vida e também na vida de outras pessoas. Sendo apenas uma pesquisa pessoal, sem maiores julgamentos, tirei algumas conclusões.

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Voltando na citação de "O Pequeno Príncipe", do post anterior, vale ressaltar: como dói quando as pessoas nos cativam e depois desaparecem, né?
Vêm, conquistam, passam a ocupar o lugar mais especial que um ser humano pode ter, trocam experiências conosco, ensinam tantas coisas, dão-nos a oportunidade de ver como é gostosa a sensação de ter aprendido algo conosco, marcam e algumas vezes vão embora. Por diversos motivos... Alguns compreensíveis. Outros, nem um pouco. Podem até não ter ido em presença, podem continuar ali, do lado, e ainda assim percebermos que já não estamos ali, dentro. Porque algo mudou.
Deixam o gosto amargo da demonstração de que o carinho não é mais o mesmo, o afeto não é mais o mesmo, o que era antes, hoje já não o é. Porque algo mudou.
Outras vezes ainda, nós é que fazemos isso com as pessoas. Vamos nos afastando, conhecendo outras pessoas, criando novos laços, elaborando novos sentidos de vida, criando novas perspectivas. Porque algo mudou.
Mas não é porque algo mudou (e sempre muda) em mim, em você, nos nossos amigos, nos nossos familiares, que temos o direito de machucar a quem cativamos, sem o mínimo de atenção. Sem olhar para as pessoas de quem gostamos e que gostam de nós e ver se elas precisam da gente, se elas sentem falta, se estamos dando o devido valor a quem nos cativa e a quem cativamos.
Quem é especial para o outro, não precisa necessariamente ouvir ou dizer que o é, pois já está explícito nas atitudes que tomam. No que demonstram. Não deixam espaço para dúvidas.
Uma das músicas que mais gosto, diz exatamente isso ("More Than Words" da banda Extreme).
Se chegamos a duvidar, a querer ouvir, por insegurança, talvez os nossos cativadores precisem mudar de atitude. E do mesmo modo, se nós, cativantes, somos cobrados em palavras e presença, talvez também devamos nos atentar aos nossos atos.

(...)

Fica aqui a reflexão. Até a continuidade...

Beijos da Nanda.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O início: despertar de ideias


Impulsiono aqui, a escrita de um longo texto, ainda sem título ou objetivo específico. Trata-se de um compartilhar de ideias recém-nascidas da leitura de um livro, que já já saberão qual. Decidi postar meu texto por partes, até mesmo por ainda não estar terminado (se é que um dia o estará). Boa leitura e espero que algo seja despertado, nem que seja uma discórdia...



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Esta noite, olhando para o céu, deixei-me tomar por uma perplexidade não experimentada antes. Meus olhos umedeceram-se salgadamente e meu corpo foi tomado por arrepios.
Acredito que tais reações, são resultados de uma matura compreensão da importância dos laços afetivos.
"Tu não és nada para mim senão um garoto, inteiramente igual a cem mil outros garotos. E não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti unica no mundo..." [ O Pequeno Príncipe ].
Observo desesperadamente o que vem acontecendo com o mundo: tendo-se dividido em bilhões de mundos pessoais, isoladamente particulares, nós, somos tentados, com o esforço feito pela mídia (sutilmente manipuladora) e reforço das escolas (desinteressantes), Igreja (às vezes limitadora do olhar, voltando-nos à apenas um fenômeno como saída: Deus), Governo (ainda não democrático) e famílias (influenciadas por discursos ultrapassados, presentes em cada uma dessas Instituições), a manter um Sistema social que se assemelha à prisões. Prisões de nós mesmos.
Cada vez mais mergulhamos na busca de objetivos particulares: queremos sucesso, um bom emprego, dinheiro, sorte, estabilidade, e dentre tantas e tantas etc's, que seguem sem nenhuma ordem de prioridade [ (ironia) cada um com os seus, não é mesmo?! (\ironia) ], a tão cobiçada felicidade.
Mas que felicidade é esta, que nunca alcançamos?
Lembro-me de ter me sentido, por diversos momentos, completamente realizada, plena, mas não sei dizer se isso era exatamente felicidade. É possível ser feliz? Se sim, acredito que passageiramente, pois algum motivo entristecedor chegou sempre até mim, fazendo-me descer um degrau nessa escala de plenitude. Depois, ia tal motivo embora, voltava a alegria. Ou seria de fato a felicidade? Não sei. Minto. Sei do que penso: a felicidade é a principal e eterna busca do ser humano... Se alcançada definitivamente, que sentido teria viver? Eu, pelo menos, não conseguiria viver plenamente feliz, vendo as pessoas ao meu redor privadas de tal sentimento. E nem que fossem todos completamente felizes, consigo enxergar algum outro motivo de busca realmente relevante.
Acredito também, ser a vida feita de áreas, que administramos tentando relacioná-las e proporcionar com tal relação, o equilíbrio de que precisamos para estarmos bem: a família, os amigos, a espiritualidade, as obrigações, a diversão, o amor e os acontecimentos inevitáveis, o acaso, o destino. Vejo nessa composição o bom motivo para tristezas: não conseguimos equilibrar sempre, todas as áreas de nossas vidas, nem que tentássemos exaustivamente, conseguiríamos manter essa harmonia, pois como disse, acredito no acaso, nos incidentes e também, não menos, nas irresponsabilidades, que tornam muitos incidentes, acidentes com culpados reais.
Não pretendo aqui, de forma alguma, traçar uma falta de perspectiva de vida ou uma visão completamente negativa da existência humana. Percebo apenas que critico o modo como fazemos buscas tão desnecessárias, por serem muito técnicas, clichês, embriagadas de uma falsa seriedade. Talvez nossas buscas sejam muito neoliberais.
Esquecemo-nos por diversas vezes da delícia que é experimentar, como no filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, os pequenos prazeres da vida. Sim, dessa forma como ouvimos falar no senso comum mesmo! É que ouvimos tanto, que fica batido, às vezes retrô. Mas quantos de nós, realmente nos permitimos experimentá-los?
Vivemos buscando harmonias, construindo laços, cativando, muitas vezes sem intenção. Mas que valor temos dado a isso?

(...)











Fico hoje por aqui, pois infelizmente já é tarde e as obrigações do dia de amanhã, convidam-me para um momento de repouso. Vou agora um pouco mais leve, começo a organizar melhor minhas ideias. Sigo ansiosa pela continuidade...

Um beijo e até breve.