segunda-feira, 14 de junho de 2010

HahaNand(inh)a

Colocar meus gatinhos dentro do forno ou da geladeira; ter 15 gatos de uma vez só; fazer a melhor babá da face da Terra contar pra mim a mesma história umas 3 vezes antes de dormir, depois de ela ter chegado morta do Curso (saudades Valquíria! Sempre me lembro de você); ver a Teca (cadelinha da minha irmã) comendo formigas e morrer de vontade de fazer como ela, mas não ter coragem e aí criar coragem, comer e descobrir que o gosto é horrível; achar que as bonecas ganhavam vida durante a madrugada e planejavam como iriam me matar; subir na parte mais alta do sofá e achar que era a pessoa mais alta do mundo, e ainda pular de lá e achar que de tanto 'treinar' aquilo, uma hora eu conseguiria voar; ficar rica comprando guloseimas no supermercado e vendendo mais caro (para os meus parentes) dentro de uma barraquinha que eu tinha; organizar peças de teatro com as minhas primas nas férias e fazer todos os meus parentes pagarem 1 real cada, para assistir a nossa peça; subir em cima da casa pra chupar manga ou comer goiaba vendo o pôr-do-Sol; bater (na verdade apanhar... mas eu bati também, sério!) em uma amiga porque eu queria assistir um canal de TV e ela outro (não esqueço disso Julinha!); ver a minha irmã tocando violão, pegar ele, ligar o som bem alto e "tocar" junto com a música (na verdade bater os dedos nas cordas, quase arrebentá-las e matar minha irmã de tensão); comer "passatempo" assistindo Chaves na casa da minha prima; achar que já era bem adulta depois do primeiro selinho na boca; achar que eu era adotada e que meus pais esconderiam isso de mim para sempre; acreditar fielmente que todas as pessoas do mundo eram alienígenas, inclusive eu, só não tinha descoberto ainda... achar que ficaria careca como meu pai, quando eu ficasse mais velha; odiar quando o dono da perua que me levava pra escola me chamava de 'Fernandinha', porque sentia como se ele estivesse me rebaixando (todos podiam me chamar de Fernandinha, mas ele era diferente! Não curtia não...); fugir para a casa da vizinha e pedir coisas dela, como aqueles batons que fixam na boca e não saem nem com reza braba, ou correr por toda a casa, gritando coisas sem sentido (saudades Isabel, Mafalda e Márcia que sempre me trataram muuito bem - e me aturaram); querer ser o centro das atenções; odiar ter que ajudar minha mãe com a limpeza da casa; fazer ginástica olímpica, vôlei, futebol, natação e handebol e ter medo de ficar como uma daquelas mulheres fisiculturistas; achar que se colocasse um fio de cabelo dentro de um copo com água ele se transformaria em uma minhoca; esconder embaixo da cama quando vi pela primeira vez um balão (daqueles com cestinha, dos mais lindos!) passar por cima da minha casa; toda noite apertar a campainha da casa da vizinha até ela fazer o filho dela me passar o maior susto do mundo e chamar a minha mãe pra conversar na casa dela (e aí só se ouvia uma gritando com a outra e se percebia meu medo, tremendo que nem vara verde, de apanhar feio); apanhar de vara; correr na rua da minha mãe correndo atrás de mim com uma vara; fazer manobras de patins, como andar de costas, pular calçadas e hoje não saber mais nada disso; apostar corrida de patinete com a vizinha, aparecer uma p* de uma pedra bem no meu caminho, sair literalmente voando do patinete, dar um mortal pra frente, sair rolando e não machucar (juro que não é exagero); conversar toda noite com a minha vizinha (Laísa) na porta da casa dela até altas horas (naquela época era possível fazer isso em Uberlândia), e ver uma mula sem cabeça passando na rua (é sério isso cara! Se nós duas vimos... não tem como ser invenção! Exiiiiste!); ver um duende no meu quarto; ter medo de assombração e barata; não gostar que facas e outros objetos pontiagudos ficassem apontados para mim, como se fossem sair voando pro meu lado e me matar; crescer e continuar acreditando no poder mágico das coisas simples, ou simplesmente não deixar nunca de ter a alma de uma criança. Querer ter para sempre a HAHANandinha dentro de mim.

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